quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bicho da própria cabeça.



O texto abaixo foi retirado do blog ESPELHO (http://palavraacostumada.blogspot.com/) e foi escrito por uma grande pessoa que conheci por essas minhas andanças.



Bicho da própria cabeça.

sentir-se fora do eixo. deslocado. incompatível. estranho. desentendido.
amedrontado. enfim, só.

solidão é inevitável e nada tem de tristeza. o que ocorre, no geral, é desespero ao reconhecê-la. solidão tem silêncio altamente aproveitável. sussurra existência. promove eloqüência da mente e do corpo. a sinestesia se expõe vulneravelmente ao torpor. é o momento em que o ser é o arauto de si mesmo. e ouve-se muito. de ensurdecer. sim, é difícil e sutil, pois fragiliza. assusta e resulta em carência. mas é só encará-la, que logo surte degustação. o meio se torna mais atraente. o real mais alegórico. o que parecia pitoresco e distante, se aproxima do subjetivo e se materializa em certeza.

todo esse procedimento de autoanálise e confirmação serve somente para conforto da mente. é mera conversa para que a razão impiedosa se sinta convencida. tranquilizada. só assim, ela se desarma e permite que o ser espante os bichos encrostados pelo compromisso de existir. os fungos sociais. e pronto. aproxima-se vagarosamente da autonomia, vulga liberdade.

não é de se afastar eternamente todos os seres humanos, para viverem em paz e sós. solidão nada tem de isolamento físico. é apenas mais uma forma de autoconhecimento e integração dessa espécie à genuidade.



à natureza, não convém certeza.


Gabriel Martinho

Nenhum comentário: