segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Um continente chamado Brasil.



Moramos num continente chamado Brasil. Não só por suas dimensões territoriais e liderança política, mas principalmente pela distância que temos com nossos vizinhos.
Tão perto e ao mesmo tempo tão longe.
Não precisa estudar muito para perceber as latentes diferenças que temos dentro de um mesmo continente, dentro de uma só raça- se é que assim podemos falar. A raça LATINA.
Somos os únicos que não falamos espanhol. Tudo bem, não é nossa culpa que a colonização foi diferente; porém não fazemos muita questão em falar a segunda língua mais falada do mundo (sem considerar o mandarim). O que tentamos aprender aqui é um Inglês mal ensinado nas escolas públicas e particulares. No final do curso, se você se esforçar muito consegue conjugar bem o verbo TO BE.
O que queremos ser na verdade é o primo pobre do país industrializado lá de cima, aquele de primeiro mundo. Imitamos quase todos seu hábitos. Somos, ou queremos, ser consumistas como eles, ter os carrões beberrões que eles fabricam, escutar as porcarias sonoras que vem de lá e etc. A impressão que passa é que Miami é mais perto que a Venezuela.
Estive recentemente na Argentina e no Uruguay. E nessas minhas andanças por nossos vizinhos aprendi muita coisa. Lições que vou levar por toda minha vida.
Em Buenos Aires me encantei pela quantidade de bandeiras que existem penduradas em sacadas de edifícios residenciais e comerciais, inclusive em um carrinho desses de catadores de papelão. Como eles amam aquele país.
Quando fui a feira de San Telmo, uma tradicional feira popular aos domingos, uma cena me marcou muito: uma garoto, de uns 8 anos de idade, tocava Asa Branca na sanfona no meio da rua. Fui falar com o ele e, descobri que o pequeno garoto, que era argentino, gostava muito da música e do povo brasileiro. Rivalidade só no futebol mesmo.
Em Colônia e Montevideo, no Uruguay, fiquei impressionado com a receptividade e carinho que eles demonstram aos turistas, principalmente brasileiros. Nos reconhecem de longe e logo querem puxar conversa. Claro que não perdem a oportunidade de nos zombar da longínqua Copa de 1950, do Maracanaço.
Nos dois países um sentimento comum: orgulho de ser latino.
A pergunta que me faço é a seguinte: por que somos tão queridos, não só aqui na América Latina mas no mundo inteiro?
Questiono-me porque se pararmos para pensar atrapalhamos a vida de muita gente aqui em nosso continente. Vale lembrar o caso da Bolívia, onde tínhamos que construir uma ferrovia para ligar-los ao oceano. Em troca ganharíamos o estado do Acre. Onde é que está a Mad Maria mesmo?
Com o Paraguay nem se fala. Junto com Argentina e Uruguay- todos financiados pela Inglaterra- dizimamos 80% da população paraguaia, no episódio que ficou marcado como a Guerra do Paraguay.
Tentando responder a pergunta lá de cima penso que deve ser por conta dessa nossa alegria contagiante, do nosso futebol, do samba... desse nosso carisma quase único.
Somos tão queridos por eles e fingimos que eles mal existem.
Temos todos o mesmo sangue, o mesmo calor humano, temos as marcas de uma invasão predatória que acabou com nossos índios e desfigurou nossas origens e de ditaduras cruéis que nos governaram por décadas. E insistimos em ser diferentes.
O Espanhol tinha que ser o segundo idioma em nosso país. As músicas que tocam em nossas rádios tinham que ser outras.
Quando é que vamos parar de nos ajoelhar para gringos e norte-americanos? Quando vamos nos conscientizar que também somos latinos? Quando é que vamos perceber que não vivemos em um continente isolado chamado Brasil?



"Aunque lo exiguo de nuestras personalidades nos impide en estos casos ser voceros de su causas, creemos, y después deste viaje más firmemente que antes que la division de América enciertas e ilusorias es completamente ficticia. Constituimos una sola raza mestiza desde México hasta el Estrecho de Magallanes.
Asi que, tratando de livrarme de cualquer carga de provincialismo, brindo por Perú. Y por América unida."

CHE.

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